Levar a Vida a Sério

Ora, ora, ora, brincadeira tem hora.

Nem toda hora é hora de bagunça, trocadilhos e sacadas engraçadinhas. Sorriso no rosto é bom, todo mundo gosta, mas também tem hora; pois o momento é também do sério. Ele também tem o seu lugar. Tem seu direito, seu dever as vezes. Entre o funny e o sério, a balança é que sorri – as vezes um, as vezes outro. Alegria alegria nem o circo vive assim. Palhaços tem responsabilidade, entristecem, até choram. Ossos do ofício, o seu é fazer rir, os outros. Ele mesmo a si sorrir, nunca sabe. 
Assim também o homem sério, cara feia, lábios cerrados, cadê o dente, nunca mostra. Mas por dentro, quem sabe, sorridente. Ora ora ora, é bom saber a hora. Riso atoa engana; mais que a todos, auto engano: 
- Nossa ex-presidenta não sabe falar a própria língua: risos, ha ha ha.
- Malas são achadas com milhões de reais – nosso dinheiro: chacota.
- Assaltantes explodem caixas eletrônicos à luz do dia, ao lado da delegacia: risos, gargalhada.
- Vamos voltar a ditadura: funny, funny, very funny.
- Temos um jagunço no Supremo Tribunal que se acha acima da lei: que bacana, que legal, estou morrendo de rir. 
- Construíram uma dezena de estádios de futebol com o nosso dinheiro e agora está tudo apodrecendo, sucata de milhões sem uso: para para, me dói a barriga de tanto gargalhar…
Fala sério, brincalhões! Hellooo fanfarrões. 
A hora é de aprender com o ‘delegado infantil’ citado acima, e dar um presta atenção a nós mesmos pois, de fato, “há coisas sobre as quais não se pode fazer piada”; e nem se deve. Pois ao fazê-lo, atestamos o ridículo, endossamos o absurdo, e dizemos amém a palhaços que nos fazem de bocós, pior, bestas sorridentes hipnotizadas por um picadeiro disfarçado de circo, palco de ladrão. A REALidade aqui deve ser levada a sério; ainda que travestida em Ficção, nos ensina que, na vida, nem tudo é, ou deve ser hilário. Ha ha ha.

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