Entusiasmo

E você, consegue inventar entusiasmo?

A julgar pelo personagem de Machado de Assis, isso seria impossível, mas a observar alguns palestrantes motivacionais modernos, pode ser que sim; que alguns conseguem, de fato, simular entusiasmo, entusiasmando outros. De qualquer maneira, este ‘estado de espírito’ tende a ser autêntico, de difícil enganação, visto ser também uma forma de paixão; a demonstração de um grande interesse, um intenso prazer ou uma dedicação ardente, ato observável em Quintanilha, que não consegue fingir seus sentimentos junto a Camila, provável, talvez possível amor.

Nessa esfera, a do relacionamento romântico, o entusiasmo tem um papel importante, pois espontaneamente se declara e diz: ‘estou interessado(a)”. É no olhar que ele transparece, indo para além do artifício, não engana nem a si próprio, nem querendo assim fazê-lo, como um fogo que quisesse não queimar. Na esfera do trabalho, o entusiasmo adquire mais complexas formas, moldando-se ao ambiente e às necessidades (eba, dinheiro!!!), motivando-se a si próprio, fingindo-se espontâneo.

E aí reside o perigo, pois a motivação cessa, não se sustenta no auto-engano, engana-se ao crer que entusiasma. Só o dinheiro de propósito legítimo (Ikigai) vira entusiasmo de fato, observável e reconhecido. E a dedicação que se segue é então genuína, cativante e perene; ânima-fogo, olhar penetrante e uma prática que parece ser entusiasmo nativo.

A Ficção pode até enganar, mas é na Realidade das entrelinhas que surge o texto original, a víscera escondida que mostra o verdadeiro ser, brilhoso e contagiante.

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