Invasão de Domicílio

Via o dedo de longe, chegando sem hesitação, entrando na sua caverna. Imediatamente todos recuavam contra a parede e espreme-espreme. Depois o aperto, o grude e o medo, que ironicamente logo passava assim que algum amigo era arrancado para fora;
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FARPAS

Lá estava ele, todo enroscado na cerca. Havia sangue. Não muito, mas escorria pelos pequenos furos que tinha na pele e pingava na areia que logo o absorvia. Dos furos maiores vinha um fluxo mais grosso que também acabava na
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Amor de Pedágio

Toda semana, duas ou três vezes por, as sete da manhã, ele pegava o carro para ir ao trabalho. Operava o monótono tic-tac das planilhas financeiras durante todo o dia, e voltava já tardinha, mesmo-caminho-sentido-contrário, passando pelos quatro pedágios que
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A Maior Sorte do Mundo

Enquanto caía, refletia. Logo ao nascer, meio que já via a morte, chegando e se mostrando cada vez mais de perto, e rapidamente. Era como o salto proposital de cima de um edifício, uma ponte ou avião sem paraquedas, mas
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Perfume de Chuva

“Eu acho que devia existir um perfume de chuva. Um perfume daqueles, entorpecentes. Daqueles que te fazem parar, olhar ao redor e fechar os olhos. Um rodopio inebriante, você quase cai no chão, mas continua a procurar pois já virou
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Por que eu escrevo?

Ela queria escrever. Seu pai não queria. Optou por si. Taí, já de cara, o primeiro motivo: ser-se. Manifestar-se. Vomitar a vontade e saborear a cor que se produz. Quero então, e escrevo primeiramente sobre o desejo, que é esse
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Formigas tem Pernas Curtas

Foi um daqueles casos cujo intento era outro, mas que acabara como sempre. É surpreendente quando Nietzsche acerta na mosca ao dizer que as coisas sempre retornam, sempre repetimos comportamentos aprendidos, cristalizados; o eterno retorno de todas as coisas, para-todo-e-sempre.
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Exageros de Pandora

Gostosos como são todos os exageros, exagerei. Mas não no começo, quando ia tudo muito bem. A viagem de ida fora um tranquilo passeio à cidade das flores, seguida de duas saborosas reuniões: a primeira numa confeitaria defronte a um
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Pássaro em construção

A gente nunca sabe quando alguém vai enlouquecer; e a gente sabe ainda menos se esse alguém pode ser um amigo, uma amiga, um conhecido nosso. É sempre uma surpresa extraordinária, um ‘uau’, um ‘não acredito’ ou ‘quem poderia imaginar’.
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As Tranças e a Lei

Ela queria, ela podia. Se tinha tinta, pintava. Depois emoldurava. Pregava na parede da cozinha, torto. Se papel, escrevia; se grafite, apagava; se caneta, eternidade. Se tinha dinheiro no bolso, viajava, e lá, gastava, comia, restaurante, massa; vermelha. Se taça,
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